Ao questionarmos os atletas sobre a utilização dos princípios
filosóficos do judô no cotidiano observamos que 92,31% dos atletas
responderam de forma afirmativa. Em seguida procuramos compreender como estes atletas o utilizam. Percebemos que a utilização variou entre área
social, afetiva e profissional. Na primeira área, encontramos os seguintes
casos:
“Sim, utilizo no meu dia a dia com professores da faculdade,
familiares, companheiros de treino, com pessoas que convivem comigo nos
lugares que freqüento. (...).”; “Sim, no dia a dia, pois tudo que eu aprendi
no judô é fundamental principalmente nos relacionamentos.”; “Sim,
respeito ao próximo.”; “Respeitando a todos”; “Sim, no dia a dia, com o
trato com as pessoas, em casa, nos estudos, dentro da família, respeitando
os mais velhos ou mais experientes”. Já na segunda área, percebemos os
seguintes discursos: “Sim, utilizo para tomar decisões importantes, para me
concentrar e preparar para uma entrevista de emprego, etc.”; “Sim,
ensinando aos alunos como se portar dentro e fora dos tatames.”; “Sim, eu
uso nas relações profissionais e de amizade, respeitando, dominando com
garra e nunca desistindo”. Entretanto, encontramos discursos que permeiam
o convívio social, afetivo e profissional simultaneamente, como a seguir:
“Sim, em todos os dias, em casa, trabalho... Respeitando a todos.”;
“Procuro não atrasar nos meus compromissos, respeitar o outro, não
desistir dos meus objetivos, entre outros.”; “Sim, ter mais controle,
disciplina, atenção e outros”. Por outro lado encontramos discursos que
não especificavam a área na qual seriam utilizados os princípios filosóficos
do judô, demonstrando abrangência, como nos casos: “Sim, da melhor
forma.”; “Sim, tento utilizar o máximo possível, principalmente a
humildade.”; “Sim, utilizo a energia humana para o bem.”.
Segundo Borges (2010), no ocidente, o judô foi aceito de forma
distorcida de seus princípios. Isso nos leva a refletir sobre as diversificadas
formas em que os praticantes utilizam os conhecimentos adquiridos no judô
para o convívio do dia a dia
Nesta ocasião, o “caminho da suavidade” se torna um esporte
ocidentalizado, ao ponto de serem valorizadas apenas: a vitória, o sucesso
utilizando a força e superioridade. Assim sendo incluídos valores
totalmente estranhos à sua base. Mas para Ruffoni (2004) os atletas de judô
quando iniciam a aprendizagem da modalidade como esporte, defesa
pessoal, lazer ou saúde, aprendem ao longo de sua prática os aspectos
filosóficos por trás desta arte marcial, filosofia esta valorizada pelo
professor Jigoro Kano (idealizador do Judô).
No entanto Mesquita (1994) diz que atualmente os judocas são na sua
maioria atletas, e isso tem feito com que os aspectos filosóficos do judô
sejam deixados de lado em prol do rendimento competitivo e do
reconhecimento financeiro onde o judoca é treinado para ganhar sem visar
os aspectos filosóficos do judô, e sem as referências dos “mestres”
tradicionais da modalidade.
Estes discursos parecem identificar que a utilização dos princípios
filosóficos do judô, são efetivados de acordo com o interesse pessoal e
afetivo de cada atleta. Além disso, o entendimento da filosofia do judô
também demonstrou ser interpretada de formas diferenciadas por cada
atleta, principalmente quando percebemos que os mesmos não
demonstraram ter conhecimento teórico.
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