segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Os princípios filosóficos do judô e suas máximas no cotidiano dos atletas


Ao  questionarmos  os  atletas  sobre  a  utilização  dos  princípios 
filosóficos  do  judô  no  cotidiano  observamos  que  92,31%  dos  atletas 
responderam  de  forma  afirmativa.  Em  seguida  procuramos  compreender como estes atletas o utilizam. Percebemos que a utilização variou entre área 
social,  afetiva  e  profissional. Na  primeira  área,  encontramos  os  seguintes 
casos:  
“Sim,  utilizo  no  meu  dia  a  dia  com  professores  da  faculdade, 
familiares, companheiros de treino, com pessoas que convivem comigo nos 
lugares que freqüento.  (...).”; “Sim, no dia a dia, pois  tudo que eu aprendi 
no  judô  é  fundamental  principalmente  nos  relacionamentos.”;  “Sim, 
respeito  ao  próximo.”;  “Respeitando  a  todos”;  “Sim,  no  dia  a  dia,  com  o 
trato com as pessoas, em casa, nos estudos, dentro da  família, respeitando 
os mais  velhos  ou mais  experientes”.  Já  na  segunda  área,  percebemos  os 
seguintes discursos: “Sim, utilizo para tomar decisões importantes, para me 
concentrar  e  preparar  para  uma  entrevista  de  emprego,  etc.”;  “Sim, 
ensinando aos alunos como se portar dentro e fora dos tatames.”; “Sim, eu 
uso nas  relações profissionais e de amizade,  respeitando, dominando com 
garra e nunca desistindo”. Entretanto, encontramos discursos que permeiam 
o  convívio  social,  afetivo  e  profissional  simultaneamente,  como  a  seguir: 
“Sim,  em  todos  os  dias,  em  casa,  trabalho...  Respeitando  a  todos.”; 
“Procuro  não  atrasar  nos  meus  compromissos,  respeitar  o  outro,  não 
desistir  dos  meus  objetivos,  entre  outros.”;  “Sim,  ter  mais  controle, 
disciplina,  atenção  e  outros”.    Por  outro  lado  encontramos  discursos  que 
não especificavam a área na qual seriam utilizados os princípios filosóficos 
do  judô,  demonstrando  abrangência,  como  nos  casos:  “Sim,  da  melhor 
forma.”;  “Sim,  tento  utilizar  o  máximo  possível,  principalmente  a 
humildade.”; “Sim, utilizo a energia humana para o bem.”.   
Segundo  Borges  (2010),  no  ocidente,  o  judô  foi  aceito  de  forma 
distorcida de seus princípios. Isso nos leva a refletir sobre as diversificadas 
formas em que os praticantes utilizam os conhecimentos adquiridos no judô 
para o convívio do dia a dia  

Nesta  ocasião,  o  “caminho  da  suavidade”  se  torna  um  esporte 
ocidentalizado, ao ponto de serem valorizadas apenas: a vitória, o sucesso 
utilizando  a  força  e  superioridade.  Assim  sendo  incluídos  valores 
totalmente estranhos à sua base. Mas para Ruffoni (2004) os atletas de judô 
quando  iniciam  a  aprendizagem  da  modalidade  como  esporte,  defesa 
pessoal,  lazer  ou  saúde,  aprendem  ao  longo  de  sua  prática  os  aspectos 
filosóficos  por  trás  desta  arte  marcial,  filosofia  esta  valorizada  pelo 
professor Jigoro Kano (idealizador do Judô).  
No entanto Mesquita (1994) diz que atualmente os judocas são na sua 
maioria  atletas,  e  isso  tem  feito  com  que  os  aspectos  filosóficos  do  judô 
sejam  deixados  de  lado  em  prol  do  rendimento  competitivo  e  do 
reconhecimento financeiro onde o judoca é treinado para ganhar sem visar 
os  aspectos  filosóficos  do  judô,  e  sem  as  referências  dos  “mestres” 
tradicionais da modalidade.  


Estes  discursos  parecem  identificar  que  a  utilização  dos  princípios 
filosóficos  do  judô,  são  efetivados  de  acordo  com  o  interesse  pessoal  e 
afetivo  de  cada  atleta.   Além  disso,  o  entendimento  da  filosofia  do  judô 
também  demonstrou  ser  interpretada  de  formas  diferenciadas  por  cada 
atleta,  principalmente  quando  percebemos  que  os  mesmos  não 
demonstraram ter conhecimento teórico.  

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